Com atraso, crise começa a chegar a estaleiros
| Políticos sul-coreanos anunciaram propostas para enfrentar o forte declínio nos pedidos de navios do país, que conta com sete dos dez maiores estaleiros do mundo. |
Políticos sul-coreanos anunciaram propostas para enfrentar o forte declínio nos pedidos de navios do país, que conta com sete dos dez maiores estaleiros do mundo. Mas são mínimas as chances de o setor evitar demissões substanciais e dificuldades financeiras nos próximos anos.
Mesmo depois que a crise financeira mundial começou, no ano passado, os estaleiros seguiram a todo vapor martelando e soldando centenas de navios que foram encomendados de 2005 a 2007, os anos mais prolíficos já registrados pela indústria naval.
Mas o total de pedidos até o mês passado ficou bem abaixo do mesmo período de 2008, o que significa que a atividade nos estaleiros vai começar a desacelerar no ano que vem e cair fortemente em 2011 e 2012. Esse efeito retardado deve atingir a indústria naval sul-coreana de modo particularmente severo, já que o setor é responsável por 10% do valor total das exportações do país.
Os estaleiros reagiram, em parte, com a substituição dos navios por plataformas petrolíferas.
Na segunda-feira, o Ministério do Comércio da Coreia do Sul apresentou ao presidente do país, Lee Myung-bak, o esboço de um plano para lidar com a potencial crise. O plano inclui a reestrutução das empresas pequenas e médias mais problemáticas e subsídios que incentivem os estaleiros a mudar de negócio, adotando atividades como a construção de parques eólicos marítimos.
Mas pode levar meses até que o governo siga adiante com qualquer uma das propostas, e executivos e consultores do setor dizem que apenas uma recuperação extraordinária no ano que vem poderá evitar um declínio profundo da atividade dos estaleiros nos próximos anos.
Uma recuperação dessa magnitude é improvável porque as empresas de transporte marítimo enfrentam uma queda de 12% no comércio mundial em relação ao ano passado. Algumas foram forçadas até a transportar cargas a preços abaixo do custo.
Os analistas dizem que demorará anos até que as empresas de navegação absorvam todos os navios que foram encomendados recentemente e que só agora estão sendo concluídos.
"Os armadores enfrentaram dificuldades o ano inteiro por causa da situação econômica e da redução no comércio exterior", diz Ki Won-kang, diretor-superintendente da Daewoo Shipbuilding & Marine Engineering Co., de Geoje, na Coreia do Sul. "A consequência disso é que os estaleiros estão sofrendo. Não sei quando o mercado vai se recuperar."
Até novembro, o total de pedidos mundiais de novos navios somava 6,5 milhões de tonelagem bruta compensada, uma medida de tamanho dos navios, segundo a Clarksons PLC, uma agência marítima e consultoria sediada em Londres. O total de navios pedidos no ano passado foi de 46,9 milhões de TBG, e em 2007, um ano recorde, de 89,7 milhões.
| Valor Econômico
23/12/2009
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